domingo, 18 de agosto de 2013

Afinal, o que é a realidade? Ela existe ou foi criada por nós, humanos?

Fonte da imagem:Reprodução/DesfortunataAfinal, o que é a realidade? Ela existe ou foi criada por nós, humanos?
 
 
 
 
 

Essa é uma grande questão filosófica, científica, clínica e física. Entenda um pouco mais sobre o assunto.

 
Sem pensar muito, defina o termo “realidade”, para você mesmo, de uma maneira simples. O que é real? Alguns cientistas por aí defendem a ideia de que nossa forma de ver o mundo deturpa os conceitos do que é real e do que não é – uma coisa meio “Matrix”, talvez.
O ator Morgan Freeman apresentou, recentemente, um programa a respeito das teorias que fundamentam as questões do buraco da minhoca, expressão usada pela Física para tratar de relatividades que podem ser aplicadas quando o assunto é tempo e/ou espaço. Freeman questiona, durante um momento de sua apresentação, o que é real. E completa: “Como podemos ter certeza de que o Universo à nossa volta realmente existe? E como nós podemos saber que o mundo que vemos corresponde ao que qualquer outra pessoa vê?”.
A questão é que nossos sentidos e, consequentemente, nossas percepções, são falhos. O que você vê é, na verdade, um produto criado por seu cérebro, que filtra infinitas informações, a todo momento, para que você construa uma visão de mundo útil. Esse tipo de filtração é importante para que consigamos selecionar todas as informações de que dispomos e possamos nos ater ao que é mais importante.

Ilusão

Fonte da imagem: Reprodução/Kapra
O problema é que essa filtragem pode nos enganar também, como acontece quando assistimos à apresentação de um mágico. E os bons ilusionistas sabem disso e usam esses conceitos para criar boas performances. O psicólogo Lawrence Rosenblum, da Universidade da Califórnia, que também pratica truques de mágica, acredita que, embora tenhamos essa capacidade de nos enganar com frequência, é errado dizer que tudo o que consideramos como realidade seja construído por nosso cérebro.
Freeman diz, em certo momento de sua apresentação, que “nós todos somos partes de uma comunidade feita de mentes” e, a afirmação que pode soar meio óbvia, parece importante para essa discussão acerca do que é e do que não é real. Se pensarmos que todas as mentes – em um mundo com 7 bilhões de pessoas – funcionam de maneira diferente, é lógico que os conceitos de realidade são diferentes também.
Você já parou para pensar, por exemplo, no poder concedido ao dinheiro? Dinheiro é papel, mas é um papel cujo valor é estipulado por nós, humanos, e isso fez com que diferentes sociedades, ao redor do mundo, fossem criadas acostumadas a atribuir valores bizarros àqueles pedaços de papel que, se não fossem pelo poder que damos a eles, de nada valeriam. O dinheiro em si, portanto, de acordo com as afirmações de Freeman, é uma ficção, pois possui um valor criado por nós – diferente de uma maçã, por exemplo, que é uma maçã, serve para alimentar, possui propriedades nutricionais sem que nada disso fosse determinado por uma mente humana.

Otimismo

Fonte da imagem: Reprodução/Sebraepr
Freeman aponta também como ilusão o otimismo, já que, de acordo com estudos feitos pela neurocientista Tali Sharot, da Universidade de Londres, as pessoas costumam subestimar a probabilidade de que coisas ruins podem acontecer. Em contrapartida, superestimam a probabilidade da ocorrência de eventos positivos.
Sharot observou o trabalho cerebral de um voluntário, a fim de escanear as suas reações diante de uma questão hipotética. Nesse caso, foi pedido ao voluntário que pensasse nas chances de ele vir a ter câncer de pulmão. Após receber as reais probabilidades de que isso venha a acontecer, os lobos frontais do cérebro do homem se manifestaram de maneira completamente diferente, como que em alerta. Quando a resposta é mais positiva do que se imagina, porém, o cérebro trabalha melhor.
Segundo Sharot, isso prova o quanto nós, humanos, somos propensos ao otimismo, e isso pode estar relacionado ao fato de que o otimismo faz nosso cérebro ter melhor desenvoltura. Tanto é assim que a Ciência já sabe, por exemplo, que pessoas otimistas tendem a viver mais, ter uma saúde melhor e, consequentemente, uma vida melhor. A questão é: o otimismo, por si só, é positivo, mas ele é uma ferramenta de ilusão criada por nosso cérebro para nos deixar melhor.
Ser realista em alguns casos, contudo, é importante. Se alguém bebe todos os dias e acha que não pode ser um alcoolista, essa pessoa está, na verdade, fugindo da realidade. Para tudo é preciso ter bom senso, até para ser otimista.

Física

Fonte da imagem: Reprodução/Picstopin
Enquanto neurocientistas e psicólogos explicam a realidade pelo ponto de vista das atividades cerebrais de cada um, a Física tem outra forma de discutir o assunto: a mecânica quântica, aquele campo onde tudo o que há de mais bizarro ocorre. Um elétron, por exemplo, pode se comportar como uma partícula ou uma onda, dependendo de como é medido. E os cientistas medem tanto a posição de uma partícula quanto a sua dinâmica em determinado momento. Nunca, porém, se podem medir as duas coisas ao mesmo tempo.
O físico David Tong, da Universidade de Cambridge, diz que a Física Quântica é a melhor teoria já desenvolvida. Outro físico, Steven Nahn, acredita que a realidade é uma coisa real (é estranho, mas é isso mesmo), mas, segundo ele, isso não significa que nós, meros humanos, conseguimos entender o que é, de fato, a realidade.
É possível, ainda, que o Universo tenha dimensões desconhecidas por nós, onde existam forças universais bem diferentes daquelas com as quais estamos habituados. O Universo pode ser, também, uma espécie de holograma, quando a quantidade de informação que determinado espaço pode conter é proporcional à área da superfície desse espaço. Isso sem falar na hipótese de que o mundo tridimensional é apenas uma ilusão e que, na verdade, o mundo seria bidimensional, apenas. Coisas da Física. E aí, depois de todas essas suposições sobre a realidade, o que você acha de tudo isso?

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