sábado, 13 de julho de 2013

Fórmula secreta dos antigos romanos pode ajudar os construtores atuais

Fórmula secreta dos antigos romanos pode ajudar os construtores atuais




Você já parou para pensar na idade de inúmeras estruturas construídas pelos antigos romanos e que continuam de pé até os dias de hoje? Algumas existem há milênios, e continuam lá, firmes e fortes. Entretanto, o concreto que utilizamos atualmente começa a se deteriorar depois de apenas algumas décadas de exposição aos elementos, provando que os antigos sabiam melhor do que nós o que estavam fazendo.
Isso pode mudar, pois, finalmente, um grupo de pesquisadores da Universidade de Berkeley, liderados pelo brasileiro Paulo Monteiro, conseguiu identificar exatamente o que é que tornava a mistura de concreto inventada pelos antigos romanos tão eficiente. E mais: a descoberta da “fórmula secreta” pode, inclusive, ajudar os construtores atuais a formularem um concreto de melhor qualidade e cuja produção cause menos impactos ao meio ambiente.

Portland

Sacos de cimento Portland Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia
Atualmente, a “cola” que mantém a mistura do concreto no lugar é o famoso cimento Portland, cuja produção libera uma boa quantidade de poluentes na atmosfera. Isso ocorre porque, para produzi-lo, é necessário aquecer uma mistura de pedras calcárias e argila a temperaturas de 1.450 °C, e a liberação de CO2 resultante equivale a cerca de 7% das emissões produzidas pela indústria todos os anos.
Os cientistas descobriram que os antigos romanos adicionavam à mistura rochas vulcânicas e uma quantidade bem menor — e específica — de cal, aquecendo esses materiais a 900 °C. Isso significa que os romanos utilizavam bem menos combustível para criar o concreto de então, o qual, além de ser mais robusto que o atual, resulta em uma quantidade bem menor de emissões.

Receita milenar

Fonte da imagem: Reprodução/ Universidade de Berkeley
Conforme explicaram os cientistas, para construir estruturas que ficariam em contato com a água do mar ou submersas, os romanos misturavam cal e cinzas vulcânicas para criar a argamassa. A essa mescla os antigos construtores adicionavam o tufo — um tipo de rocha vulcânica —, criando formas de madeira a partir dessa massa.
Depois, ao incorporar a água do mar à mescla, uma reação química quente era imediatamente desencadeada, provocando a hidratação da cal — incorporando moléculas de água à estrutura —, que reagia com a cinza vulcânica para cimentar toda a mistura. Ainda serão precisos diversos estudos para adaptar as técnicas de construção romanas às necessidades atuais, mas a velha fórmula utilizada pelos antigos continua se provando incomparável.

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